A Costa Sul costuma ser apresentada pelas praias, mas a região tem cinco séculos de história, um porto que já foi rota de ouro e de café, uma ilha conhecida pelos naufrágios e uma relação antiga com o mar e com a serra. Reunimos aqui os fatos que ajudam a entender o lugar, de 1502 aos dias de hoje, com as fontes de cada um.
Um nome dado no calendário
Segundo o histórico do IBGE e o registro da Assembleia Legislativa, o navegador Américo Vespúcio passou pela região em 20 de janeiro de 1502, dia de São Sebastião no calendário litúrgico, e deu à ilha o nome do santo. O nome passou depois para a vila do continente, e a ilha, que hoje chamamos de Ilhabela, foi por muito tempo conhecida como Ilha de São Sebastião.
No início do século XVII, famílias vindas de Santos se instalaram dos dois lados do canal e formaram dois núcleos: Villa Bella da Princesa, na ilha, e São Sebastião, no continente. A Igreja Matriz de São Sebastião é de 1604 e é considerada pelos moradores o marco zero da cidade; foi construída, segundo os guias locais, com pedra, cal de conchas e óleo de baleia. A povoação recebeu o título de vila em 16 de março de 1636, desmembrada de Santos.
Baleias, açúcar, ouro e café
A economia da vila acompanhou os ciclos do Brasil colonial. No século XVII, a pesca da baleia e a produção de seus derivados conviviam com a cana, o açúcar e a aguardente. O porto também servia de ponto final para uma rota de contrabando de ouro vinda de Minas Gerais, com ligações com a África. No século XIX, o café fez de São Sebastião um dos centros prósperos da província, escoando a produção do norte paulista e do sul de Minas.
Com a ferrovia, que desviou o comércio para outros portos, e com a abolição da escravatura, a produção caiu e a cidade ficou estagnada por décadas. A retomada começou em 1932, quando a ligação rodoviária com o Vale do Paraíba reativou o porto. Mais tarde, a instalação do terminal da Petrobras no canal deu ao município um papel no abastecimento de petróleo das refinarias do planalto.
Os canhões que protegiam a vila contra piratas e corsários estão preservados como patrimônio. O centro histórico foi tombado pelo Condephaat em 1969 e reúne o maior conjunto arquitetônico do Litoral Norte, com casarões, igrejas e a Casa da Cultura.
Maresias já foi distrito
A organização do município mudou ao longo do século XX. Em 1944 foi criado o distrito de Maresias, e em 1964 o de São Francisco da Praia; de 1968 até 2009, São Sebastião se dividiu em três distritos. A praia mais conhecida da Costa Sul, hoje associada ao surfe e à vida noturna, teve status administrativo próprio antes de se tornar destino turístico. Veja a página de Maresias.
A ilha dos naufrágios
O canal e a face oceânica de Ilhabela concentram a maior parte dos naufrágios do litoral paulista. O mais lembrado é o do transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias, que afundou em março de 1916, em meio ao mau tempo. A lista inclui os cargueiros ingleses Dart, de 1884, e Hathor, de 1909; o vapor Velasquez, de 1908; o cargueiro Therezina, de 1919; o São Janeco, de 1929; e o espanhol Concar, que encalhou em 1959.
Uma cadeia que virou centro de visitantes
Em Ilhabela, a antiga cadeia, construída em 1803 e tombada pelo Condephaat, abriga hoje o centro de visitantes do Parque Estadual de Ilhabela. O parque foi criado em 20 de janeiro de 1977, no mesmo dia do padroeiro, e protege 27.025 hectares, incluindo ilhas, ilhotes e lajes do arquipélago. A Mata Atlântica cobre cerca de 85% do território do município.
Capital Nacional da Vela
A Semana Internacional de Vela de Ilhabela é realizada todo mês de julho desde 1973, e o título de Capital Nacional da Vela foi oficializado por lei federal em 2011. A 53ª edição, entre 25 de julho e 1º de agosto de 2026, reuniu 127 barcos. O mar protegido do canal, voltado para o continente, é o cenário das regatas e da vida náutica da ilha.
Ilhas ao largo
Ao largo da Costa Sul ficam várias ilhas. A maior delas é Alcatrazes, refúgio de vida silvestre com um pico de mais de 300 metros e sem praia para desembarque. Mais perto da costa estão a Ilha dos Gatos, a Ilha do Maracujá e a Ilha de Toque-Toque, esta última em frente às praias de mesmo nome. Veja a página de Toque-Toque.
As baleias voltam todo ano
Entre maio e agosto, as baleias-jubarte migram da Antártida para águas mais quentes, e a costa de São Sebastião está na rota.
A chuva de 2023
A história recente também ensina. Em 18 e 19 de fevereiro de 2023, São Sebastião recebeu cerca de 680 mm de chuva em 24 horas, descrito à época como o maior volume já registrado no país. Os deslizamentos atingiram sobretudo a Vila do Sahy, na Costa Sul, e a Defesa Civil contabilizou 64 mortes no município. O episódio mostrou o peso das encostas e dos rios na ocupação do território e reforçou, para quem compra ou constrói, a importância de conhecer a situação geológica do terreno e as áreas de risco mapeadas pelos órgãos públicos.
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Fontes consultadas (8)
- IBGE — Histórico do município de São Sebastião (biblioteca.ibge.gov.br)
- Assembleia Legislativa de SP — São Sebastião além das praias (al.sp.gov.br)
- Viagens e Caminhos — São Sebastião: centro histórico e Igreja Matriz (viagensecaminhos.com)
- Correio Braziliense — Ilhabela: parque estadual, antiga cadeia e vela (correiobraziliense.com.br)
- ABCdoABC — 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela (julho de 2026) (abcdoabc.com.br)
- Canaltech — Os maiores naufrágios do litoral de São Paulo (canaltech.com.br)
- Quanto Custa Viajar — São Sebastião: ilhas e Alcatrazes (quantocustaviajar.com)
- Brasil de Fato — Chuvas de fevereiro de 2023 em São Sebastião (brasildefato.com.br)
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